1 de agosto de 2020
15 de julho de 2020
Histórias de putas
Neste folhetim de baixa qualidade que
se arrasta entre as outras histórias mais ou menos escabrosas que
compõem a informação diária, há algo digno de nota que parece
ter escorrido nas entrelinhas, pois ninguém terá pegado no
assunto. O artiguelho começa assim: «O escândalo sexual que
envolve o juiz Joaquim Manuel Silva, acusado por Ana Loureiro,
proprietária de uma casa de acompanhantes, de contratar prostitutas
para ter sexo enquanto visionava vídeos com depoimentos de menores,
etc. etc. ...» Proprietária de uma casa de acompanhantes?
Não há muito tempo, recordo-me de ter
visto um cavalheiro a queixar-se, na TV, de ter sido acusado de
lenocínio por ter arrendado uns apartamentos a umas senhoras
que, por acaso, eram putas. Não era sequer um caso de proxenetismo;
arrendou os apartamentos às putas, que os utilizavam para o seu
comércio. E foi condenado por lenocínio, recorde-se!
E agora esta Ana Loureiro diz que tem
uma casa de putas, onde, pelas suas palavras, se junta o proxenetismo
ao lenocínio, e não se passa nada? Ou só há exploração,
e criminalização, quando o «patrão»
é homem? É isso que está na lei?
11 de julho de 2020
Voando sobre um ninho de cucks
É isto mesmo que estamos a precisar: toda essa escumalha inglesa mais o seu turismo de borracheira para animar o Algarve, salvar os 15% do PIB que pertencem ao turismo, e “pôr a economia a funcionar” enquanto não chegam os milhões da Orópa. Ao que nós chegamos!
(Imagens de alertadigital.com, jeuneurope.com e elmundo.es)
(Imagens de alertadigital.com, jeuneurope.com e elmundo.es)
5 de julho de 2020
4 de julho de 2020
28 de junho de 2020
27 de junho de 2020
24 de junho de 2020
21 de junho de 2020
12 de junho de 2020
Duelo ao pôr-do-sol
A secretária fechou a porta atrás de
si, acercou-se e disse:
— Mr. Goldberg vai recebê-lo agora.
Pode entrar.
— Obrigado.
Pouco depois estava num imenso gabinete
forrado a madeiras escuras, com cartazes de velhos filmes alinhados
pelas paredes, e atravessei a grossa carpete no meio de um absoluto
silêncio. Havia um leve cheiro a óleo de cedro e a tabaco de
cachimbo e, ao fundo, uma vidraça que ocupava toda a parede. Frente
a ela uma escrivaninha e um vulto sentado, que a contraluz me impedia
de ver claramente.
— Bom dia, Mr. Flynn! Sente-se, por
favor.
— Bom dia, Mr. Goldberg — pousei a
pasta numa mesinha de apoio e afundei-me no grande cadeirão de couro
negro.
— Em que posso ser-lhe útil?
— Estudou a minha proposta de
argumento?
Ele mudou de posição na cadeira com
um rangido imperceptível, fez uma pausa e disse:
— Trata-se de um western, não
é? Não estou bem recordado... Importa-se de me fazer uma sinopse?
— A ideia é a seguinte: temos esta
história passada após a Guerra de 1812. Um tenente do exército é
desmobilizado e, quando volta à sua herdade, nas margens do
Missouri, descobre que a sua casa foi incendiada e a família
degolada, durante uma revolta de escravos. Cego pela ideia de
vingança, ele vai transformar-se num caçador de prémios,
perseguindo escravos foragidos. Só que acaba por nunca entregar
nenhum, pois no último momento, dominado pela dor e pela recordação,
acaba sempre por lhes enfiar um tiro na cabeça.
Goldberg tinha retirado os óculos e
limpava meticulosamente as lentes grossas com um paninho claro.
Depois voltou a pousá-los sobre o nariz adunco, olhou-me fixamente
durante uns segundos, e disse:
— Sim... já me recordo. Não podemos
fazer esse filme, Flynn. Hoje em dia, nem pensar. Na noite de estreia
tínhamos todos esses activistas profissionais a pegar fogo aos
cinemas, a acusar-nos de racismo... e outras coisas piores. A
publicidade gratuita não compensaria os prejuízos.
Afundei ainda mais no cadeirão negro e
receei que ele me fosse engolir. Nunca me ocorrera que um filme de
pistoleiros, de pura diversão, pudesse ofender susceptibilidades. No
entanto a história parecia-me boa e, num golpe de asa, tentei salvar
o trabalho, enquanto lutava para emergir do cadeirão.
— E se fosse ao contrário?
Goldberg devia estar já a pensar
noutros assuntos, porque desceu à terra atabalhoadamente.
— Como diz? Não estou a entender...
— Ao contrário — disse eu com
impaciência. — O pistoleiro é preto e vai matar foragidos
brancos... presidiários, assaltantes, eu sei lá!... Já não nos
acusam de racismo, pois não?
— Lá isso não, Mr. Flynn... Mas
esse filme já foi feito, não há muito tempo: chama-se “Django
Libertado”.
O cadeirão parecia ganhar-me vantagem
novamente, mas Goldberg não me deixou saborear a derrota por muito
tempo. Consultou o relógio de pulso, em ouro, e disse pausadamente:
— Desculpe Mr. Flynn, mas tenho uma
reunião marcada para daqui a dez minutos. Ouça: porque é que não
esquece esse argumento antiquado, e não escreve uma coisa mais
moderna e vibrante? Olhe à sua volta, há muito por onde se
inspirar... Marque uma entrevista com a minha secretária, e voltamos
a encontrar-nos daqui a uns meses. Gostei muito de o ver, passe bem.
— Igualmente, Mr. Goldberg. Até à
vista.
Escapei à goela do cadeirão, peguei
na pasta e fiz o caminho de regresso. Não marquei qualquer
entrevista e, quando cheguei à rua, a brisa transportava o aroma
doce do jasmim. Mas devia estar a delirar, pois naquela terra nunca
floriram esses arbustos.
6 de junho de 2020
31 de maio de 2020
Pesca grossa
Tal como há “caça grossa”, por
analogia propõe-se a “pesca grossa”.
E nem me estou a referir ao desenho...
Deixei ficar, propositadamente, um apontamento de uma aula numa
cadeira que nós (os alunos) considerávamos confusa, e cujo fim não
era fácil descortinar. A opinião corrente era que se destinava a
proporcionar espírito crítico, ou a facilitar um método de
raciocínio. Falou-se muito durante o ano lectivo (ou melhor... o
prof. falava muito -- lembro-me de um condiscípulo que adormecia
profundamente nestas aulas), houve um par de “performances”
ridículas (como todas as “performances”) e, no final do ano,
apresentava-se um trabalho escrito. Tenho ideia que ninguém chumbou
nesta cadeira...
Passados estes anos, ao reler os
apontamentos, percebi finalmente o contexto: puro lixo
marxista! Agora, tudo faz muito mais sentido...
24 de maio de 2020
A corda da forca
Afrase é atribuída a Lenine e, na
época, a União Soviética já não parecia ter grandes condições
para cumprir a ameaça. Hoje, o testemunho passou para a China,
embora em condições diferentes. Em 1984, a China já tinha iniciado
as reformas económicas que a trouxeram à posição actual, mas era
ainda irrelevante na economia mundial. Para concluir: o cartoon
não ficou desactualizado, apenas mudaram os protagonistas - e o grau
da ameaça.
19 de maio de 2020
17 de maio de 2020
15 de maio de 2020
Aluga-se biblioteca
Ao quilo ou ao metro linear. Bons preços.
Para comentadores de televisão em teletrabalho.
A possibilidade de parecer inteligente ao alcance de todos.
“Um burro carregado de livros é um doutor”.
(imagem retirada daqui)
14 de maio de 2020
12 de maio de 2020
Heavy Metal
O filme “Heavy Metal”, a que me referi no postal anterior, tinha um lettering semelhante ao que está aqui desenhado. Era a versão, em desenho animado, do universo temático da revista BD “Métal Hurlant” - basicamente ficção-científica e fantástico. O filme, era bem melhor do que a banda sonora, onde os temas dos Blue Öyster Cult e dos Black Sabbath eram, de longe, os melhores.
10 de maio de 2020
Veteran of psychic wars
Frequentes vezes os títulos ou
legendas foram atribuídos a posteriori, como creio que aconteceu
neste caso. A legenda remete para “Veteran Of The Psychic Wars”,
um tema dos Blue Öyster Cult para o filme “Heavy Metal” de 1981.
7 de maio de 2020
5 de maio de 2020
4 de maio de 2020
Epitáfios e algo mais
Epitáfios em estilo country &
western. O algo mais, que até está no início, podia
ilustrar a frase “a magia de um homem é a engenharia de outro homem”, de Robert A. Heinlein; neste caso, “a magia de uma mulher é a engenharia de outro homem”. Mas como isto podia levar a segundos sentidos e ofender as multidões, é melhor fingir que ficamos por aqui...
3 de maio de 2020
1 de maio de 2020
30 de abril de 2020
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