6 de maio de 2014
Gajo Borbulha
Esta tira foi publicada no Natal de 2006, e menciona factos passados três anos antes: o célebre movimento das Mães de Bragança, que se organizaram contra a prostituição e o alterne que "animavam" a cidade. As televisões lisboetas, que descobriram o caso através de uma reportagem na revista "Time", deram-lhe uma dimensão tal que liquidou o "negócio".
3 de maio de 2014
Tóne Chopinho
Quarto "cartoon" do Tóne
Chopinho, datado de 2006, dos sete que foram publicados no 30 de
Fevereiro.
29 de abril de 2014
Gajo Borbulha
Quando esta tira foi desenhada, Cavaco
Silva já tomara posse como presidente da república há mais de meio
ano. Com um primeiro mandato onde tentou passar despercebido (como é
prática habitual, na tentativa de alcançar o segundo mandato), a
crise da dívida e a pré-bancarrota acabaram por acossá-lo na torre
de vidro onde se havia encerrado. Com anticorpos espalhados em largos
sectores da sociedade portuguesa, muitos não esqueceram que, nos
quarenta anos do regime, acabados de completar, Cavaco Silva foi
primeiro-ministro ou presidente durante dezoito deles...
28 de abril de 2014
Tóne Chopinho
A partir de determinada altura, os
portugueses descobriram a duvidosa apetência para quebrar alguns dos
recordes do livrinho magicado pela cervejeira irlandesa - com as
televisões sempre à espreita. Na verdade, o tema tornou-se
enjoativo...
20 de abril de 2014
25 de Abril, 40 anos. Festejar o quê?
Foi o regime saído do 25 de Abril que nos trouxe à situação actual. Os problemas que vivemos não começaram em 2011, nem em 2008, ou 2000, ou 1993 - começaram em 1974. Todos os vícios e erros de que enferma este regime datam da sua origem: uma desgraçada revolução, em vez de uma transição ordenada, à qual se seguiram os anos de desgoverno que acabaram com o que restava. Pior que isso, a revolução instaurou uma cultura de irresponsabilidade e facilitismo, onde o mérito não é premiado, onde nada se exige para que nada seja exigido em troca, onde se julga normal ter todos os direitos sem a contrapartida de qualquer dever.
O FMI foi chamado a intervir em 1977 e 1983, mas, das reformas necessárias nada foi feito, e nem sequer aprendemos com os erros. Apenas à custa da desvalorização da moeda adiamos os nossos problemas, com perdas assustadoras do poder de compra, desemprego, etc. Desde 1974 o Estado passara a acumular deficits, ou seja, dívida, e isso continuou a acontecer ano após ano, todos os anos, até hoje. Apesar disto, foi "vendida" uma ideia utópica do "estado social": aquilo que os franceses ou os nórdicos conseguiram num trabalhoso processo de longas décadas, implantar-se-ia aqui por um passe de mágica: tudo, para todos, ao mesmo tempo!
Com a adesão à CEE vieram os fundos de coesão europeus, e, em vez de se aproveitar a nova oportunidade para reformar o país, continuou a desperdiçar-se o dinheiro de forma não produtiva, alimentando grupos de interesse que medraram à sombra das negociatas. Satisfazer clientelas para ganhar eleições continuava a ser o único desígnio da governação, enquanto se hipotecava o futuro. Quem lucrou com a Expo 98, o Euro 2004 e os 2700 km de auto-estradas, e tantas outras obras do regime que hoje continuamos a pagar e de nada nos servem?
Com a integração no Euro (um monumental erro de avaliação que passou impune) chegou o crédito barato e continuamos a endividar-nos alegremente a 10% ao ano. Apesar da torrente de dinheiro injectado na economia, o crescimento económico era nulo. O fim estava à vista.
Que regime é este, onde boa parte dos políticos chegam de mãos vazias e partem com enormes fortunas pessoais? Onde a corrupção é generalizada e impune? Onde um padeiro que, alegadamente, terá roubado 70 cêntimos, é condenado a uma multa de 315 euros, com hipótese de vir a cumprir pena efectiva, enquanto os Jardins Gonçalves vêem prescrever os seus processos de milhões? Onde os Fantasias e os Catums do BPN nunca cumprirão qualquer pena, porque é hoje dado por adquirido que os tribunais, mesmo que funcionem sem imprevistos, nunca conseguirão terminar o processo antes da prescrição? Onde os ladrões e assassinos são libertados por erros processuais ou excesso de garantismo, e as suas vítimas são tantas vezes condenadas?
Vamos celebrar o quê? Não há nada a celebrar.
O FMI foi chamado a intervir em 1977 e 1983, mas, das reformas necessárias nada foi feito, e nem sequer aprendemos com os erros. Apenas à custa da desvalorização da moeda adiamos os nossos problemas, com perdas assustadoras do poder de compra, desemprego, etc. Desde 1974 o Estado passara a acumular deficits, ou seja, dívida, e isso continuou a acontecer ano após ano, todos os anos, até hoje. Apesar disto, foi "vendida" uma ideia utópica do "estado social": aquilo que os franceses ou os nórdicos conseguiram num trabalhoso processo de longas décadas, implantar-se-ia aqui por um passe de mágica: tudo, para todos, ao mesmo tempo!
Com a adesão à CEE vieram os fundos de coesão europeus, e, em vez de se aproveitar a nova oportunidade para reformar o país, continuou a desperdiçar-se o dinheiro de forma não produtiva, alimentando grupos de interesse que medraram à sombra das negociatas. Satisfazer clientelas para ganhar eleições continuava a ser o único desígnio da governação, enquanto se hipotecava o futuro. Quem lucrou com a Expo 98, o Euro 2004 e os 2700 km de auto-estradas, e tantas outras obras do regime que hoje continuamos a pagar e de nada nos servem?
Com a integração no Euro (um monumental erro de avaliação que passou impune) chegou o crédito barato e continuamos a endividar-nos alegremente a 10% ao ano. Apesar da torrente de dinheiro injectado na economia, o crescimento económico era nulo. O fim estava à vista.
Que regime é este, onde boa parte dos políticos chegam de mãos vazias e partem com enormes fortunas pessoais? Onde a corrupção é generalizada e impune? Onde um padeiro que, alegadamente, terá roubado 70 cêntimos, é condenado a uma multa de 315 euros, com hipótese de vir a cumprir pena efectiva, enquanto os Jardins Gonçalves vêem prescrever os seus processos de milhões? Onde os Fantasias e os Catums do BPN nunca cumprirão qualquer pena, porque é hoje dado por adquirido que os tribunais, mesmo que funcionem sem imprevistos, nunca conseguirão terminar o processo antes da prescrição? Onde os ladrões e assassinos são libertados por erros processuais ou excesso de garantismo, e as suas vítimas são tantas vezes condenadas?
Vamos celebrar o quê? Não há nada a celebrar.
19 de abril de 2014
Gajo Borbulha
O tema desta tira é um clássico da
esperteza nacional: o dia da greve geral utilizado em proveito
pessoal. E como, normalmente, é marcado para uma sexta-feira isso
significa umas mini-férias (o Gajo Borbulha, com os seus biscatos é
uma excepção); no dia útil seguinte, passada a guerra dos números,
entra o respectivo atestado médico...
15 de abril de 2014
Gajo Borbulha
Esta tira do Gajo Borbulha representou
um passo mais no alargamento do seu universo, ao apresentar o seu
filho, Lenine. O tema das aulas de substituição (destinadas a
acabar com os tempos mortos devidos à falta de um professor) era por
essa época motivo de alguma controvérsia, mais por parte dos
professores que dos alunos, diga-se em abono da verdade.
14 de abril de 2014
Tóne Chopinho
Segundo "cartoon" do Tóne
Chopinho, datado de Outubro de 2006, dos sete que foram publicados no
30 de Fevereiro.
11 de abril de 2014
Gajo Borbulha
Tendo por fundo uma das polémicas
medidas tomadas por Correia de Campos, o Gajo Borbulha utiliza uma
mnemónica inesperada, enquanto Falópio continua com os seus
habituais pontapés na gramática...
10 de abril de 2014
Anda, Pacheco!
Já não me recordo das circunstâncias
exactas que me levaram a fazer este desenho, datado de Fevereiro de
2006 - provavelmente uma das lérias do Pacheco Pereira. Pacheco
Pereira é outro dos ex-maoistas que foram parar ao PSD, e ninguém
percebe hoje porque ainda se mantém no partido, a menos que pretenda
bater o recorde do franco-atirador há mais tempo em actividade.
A frase "Anda, Pacheco!" foi
celebrizada pela fadista Hermínia Silva, também aqui caricaturada
juntamente com o António Chainho, um dos mais conceituados
guitarristas do género.
Por curiosidade, mostro também os
vários passos que levaram ao desenho final.
.
.
8 de abril de 2014
D. Bibas, o bobo do corte
Antes de se tornar dirigente
desportivo, com um ar que não destoaria na série "The
Sopranos", Rui Costa foi um dos mais bem-sucedidos futebolistas
portugueses. Num dia do Outono de 2006, quando o jogador ainda pisava
os relvados, os três diários desportivos resolveram fazer uma
manchete que pouco tinha a ver com a prática do desporto,
propriamente dito - o que acontece frequentes vezes, porque ter de
arranjar notícias todos os dias não deve ser nada fácil...
6 de abril de 2014
D. Bibas, o bobo do corte
As frases que se podem ler nos
primeiros três quadrados desta tira, faziam parte de uma campanha
anti-racista que à época passou nos meios de comunicação. Julgo
que esta era a campanha "Todos diferentes, todos iguais",
que em pouco tempo deu origem à irónica frase "todos
diferentes, todos a roubar" - e isto sem qualquer conotação
racista, o problema era (e ainda é...) generalizado.
4 de abril de 2014
Tóne Chopinho
Esta personagem criada pelo Mário
Teixeira fez a sua aparição em 2006 no velho 30 de Fevereiro, onde
foram publicados sete "cartoons". Os "gags" são
de um único desenho, inspirados normalmente em cenas da vida real -
frases perdidas, ou nem tanto, que o autor captou em seu redor -
porque é bem sabido que muitas vezes a realidade ultrapassa a
ficção.
O Tóne Chopinho incarna o que de pior
existe no português: a ignorância arrogante, a imbecilidade, o
conformismo. Neste desenho em particular, Tóne Chopinho
congratula-se com o quarto lugar então alcançado pela selecção
portuguesa no mundial de futebol da Alemanha, num fraseado de
perdedor resignado.
Estes "cartoons" foram
entretanto redesenhados, num estilo radicalmente diferente e sem cor,
estando prevista a sua publicação numa espécie de apêndice ao
livro do Gajo Borbulha, fazendo a ligação através do Falópio, de
quem Tóne Chopinho é amigo.
2 de abril de 2014
Gajo Borbulha
O Gajo Borbulha vai percorrendo todos
os lugares-comuns da intervenção comunista, acompanhado de perto
pelo seu amigo Falópio. A explicação alargada está aqui.
1 de abril de 2014
D. Bibas, o bobo do corte
O "fatídico" dia 6 de Junho
de 2006, que alinhava três 6 de mau agouro, passou despercebido, à
excepção de algum jornalismo com falta de notícias. Mas até essa
pecha era por esses dias facilmente remediada, com os inevitáveis
directos para "encher chouriços", à porta do hotel onde a
selecção nacional de futebol fazia o seu estágio, nas vésperas do
Alemanha 2006. A propósito: mais umas semanas e vamos levar com
outra dose...
31 de março de 2014
D. Bibas, o bobo do corte
Filmes como "Rapariga com Brinco
de Pérola", "Lost in Translation" ou "A Ilha"
projectaram Scarlett Johansson para a fama no nosso país, dando-lhe
simultaneamente o estatuto de "sex-symbol". Subitamente o
seu nome ouvia-se em todo o lado - geralmente mal pronunciado, e isso
deu tema para esta tira dupla de D. Bibas.
29 de março de 2014
As criaturas do pântano amaldiçoado
Com um título inspirado num filme de
terror dos anos 50 - Creature from the Black Lagoon, que nunca
vi - passamos agora à segunda e última tira, desta vez dedicada ao
candidato Cavaco Silva. Cavaco, na presidência, tem-se mostrado o
paladino das transformações que nunca conseguiu fazer enquanto
primeiro-ministro, bem pelo contrário. Há uns tempos disse que o
nosso futuro estava no mar; no seu tempo desmantelou-se boa parte da
frota pesqueira. Ultimamente, diz que o futuro está na agricultura;
no seu tempo pagou-se para arrancar vinha e olival. Na campanha de
2006 lembrou-se de dizer que Portugal viria a ser a Califórnia da
Europa. Como? por que meios? Só se fosse por artes mágicas. O
resultado está à vista...
28 de março de 2014
As criaturas do pântano amaldiçoado
Ainda sob o signo das presidenciais de 2006, desenhei duas tiras, correspondentes a cada um dos principais
candidatos: Cavaco Silva e Mário Soares (é verdade que Manuel
Alegre ficou em segundo lugar, mas nunca deixou de ser uma personagem
secundária). A tira dupla de hoje é a que corresponde a Soares, e
recorda as linhas mestras da sua argumentação eleitoral. Com o seu
imenso ego, o complexo de superioridade típico de uma certa "Capital
do Império", e a arrogância de quem se julga dono da
república, Soares, na tentativa de regresso à presidência, achou
por bem comparar o seu pretenso cosmopolitismo com o suposto
provincianismo de Cavaco: acusou-o de fugir ao debate, de falta de
cultura, de conhecimento, e de peso internacional - entre outras
coisas. Apoiado pelo PS, então no Governo, averbou aquela que foi
talvez a sua maior derrota em eleições: um 3.º lugar com 14% dos
votos expressos.
27 de março de 2014
D. Bibas, o bobo do corte
Tendo como tema as presidenciais de 2006, este cabeçalho comentado por D. Bibas é o resultado da
inclinação do espectro partidário português à esquerda: a
direita quase não existe como tal, ou diz-se do centro, os liberais
dizem-se social-democratas, os social-democratas intitulam-se
socialistas (e convém não esquecer que todos juntos valem 85 a 90
por cento do eleitorado). Só assim é possível entender as
declarações de Maria Helena da Bernarda acerca de Cavaco Silva como
um candidato de esquerda - depende do ponto de vista. Mas não deixa
de soar estranho...
26 de março de 2014
O Zé, a Maria Lusa e o Político
Cavaco Silva, afastado do poder desde 1995 e derrotado nas presidenciais de 1996, passou uma década a pavimentar pacientemente o caminho que o havia de levar com êxito ao palácio de Belém. Na pré-campanha das presidenciais de 2006, com as sondagens a seu favor e tendo por opositores cinco candidatos de esquerda, impôs o modelo de debate televisivo que lhe era mais favorável: debates a dois. Evitava assim fragmentar o seu tempo de intervenção contra dois ou mais candidatos que iam previsivelmente abrir fogo sobre si, repetindo mais ou menos a mesma argumentação e deixando-o permanentemente em situação de desvantagem.
25 de março de 2014
24 de março de 2014
D. Bibas, o bobo do corte
O Mário Teixeira tem uma ligação
especial ao Canadá, e as notícias relacionadas com esse país
serviram-lhe também de inspiração, como se pode comprovar nesta
tira. Em 2005, a meio da nossa "década perdida", notícias
como a citada - onde o governo canadiano se propunha devolver parte
do excedente orçamental aos contribuintes - pareciam aos nossos
olhos como se fossem de outro mundo.
22 de março de 2014
30 de Fevereiro - 10.º Aniversário
Faz hoje dez anos que se iniciou o 30 de Fevereiro. Nos primeiros três aniversários, sendo que esses quatro anos foram os de actividade mais intensa, assinalei a data com pequenas montagens, que ilustravam a frase "xis anos a partir pedra". Sob o lema "Contra a corrente", "partir pedra" seria a consequência natural do "água mole em pedra dura"... mas, basta de frases feitas, vamos aos desenhos e etecéteras.
Em primeiro lugar, num estilo vagamente maoista, a Vénus de Milo não seria o que é hoje se alguém (ou algo) não a tivesse mutilado. Na segunda imagem recorri a uma iluminura medieval que representa uma mina, o lugar onde se parte pedra por excelência, sem interferir na imagem. Por último, fiz uma montagem de dois técnicos frente às ruínas de Stonehenge, com ar de quem acaba de descobrir um filão...
Etiquetas:
2005,
2006,
2007,
montagem,
stonefield
21 de março de 2014
Valha-me Deus!
A razão desta tira é extremamente fútil. Descobri, num artigo de um jornal diário, que o então vice-presidente da bancada do PSD-Madeira, no parlamento regional, tinha o invulgar e sugestivo nome de Coito Pita. É fácil fazer humor sobre isso, mas acreditem que tenho uma ponta de inveja. Imaginem-me com um nome destes a apresentar-me numa festa a uma dessas gatas acaloradas que já vão no terceiro vodka. «E tu, como te chamas?» dir-me-ia ela. «Para ti Coito, Pita!» respondia eu... é bom de mais para ser verdade.
20 de março de 2014
Gajo Borbulha
A partir de meados de 2005, o Mário Teixeira decidiu passar a colorir as tiras destinadas ao 30 de Fevereiro. A primeira tira colorida do D. Bibas foi publicada ontem, hoje temos o Gajo Borbulha, e em breve teremos a d'O Zé & Maria Lusa.
A frase-chave aqui, "a inversão do ónus da prova", surgiu no momento em que se iniciou a discussão sobre novas formas de combate à corrupção e a criminalização do enriquecimento ilícito. Nove anos passados, a questão é ainda fonte de controvérsia. O conceito, contudo, tem esbarrado nas garantias constitucionais, pois cabe à justiça provar que o acusado cometeu o delito - em vez de ser o acusado a provar a sua inocência.
Subscrever:
Mensagens (Atom)































