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28 de março de 2014

As criaturas do pântano amaldiçoado


Ainda sob o signo das presidenciais de 2006, desenhei duas tiras, correspondentes a cada um dos principais candidatos: Cavaco Silva e Mário Soares (é verdade que Manuel Alegre ficou em segundo lugar, mas nunca deixou de ser uma personagem secundária). A tira dupla de hoje é a que corresponde a Soares, e recorda as linhas mestras da sua argumentação eleitoral. Com o seu imenso ego, o complexo de superioridade típico de uma certa "Capital do Império", e a arrogância de quem se julga dono da república, Soares, na tentativa de regresso à presidência, achou por bem comparar o seu pretenso cosmopolitismo com o suposto provincianismo de Cavaco: acusou-o de fugir ao debate, de falta de cultura, de conhecimento, e de peso internacional - entre outras coisas. Apoiado pelo PS, então no Governo, averbou aquela que foi talvez a sua maior derrota em eleições: um 3.º lugar com 14% dos votos expressos.

22 de março de 2014

30 de Fevereiro - 10.º Aniversário





Faz hoje dez anos que se iniciou o 30 de Fevereiro. Nos primeiros três aniversários, sendo que esses quatro anos foram os de actividade mais intensa, assinalei a data com pequenas montagens, que ilustravam a frase "xis anos a partir pedra". Sob o lema "Contra a corrente", "partir pedra" seria a consequência natural do "água mole em pedra dura"... mas, basta de frases feitas, vamos aos desenhos e etecéteras.
Em primeiro lugar, num estilo vagamente maoista, a Vénus de Milo não seria o que é hoje se alguém (ou algo) não a tivesse mutilado. Na segunda imagem recorri a uma iluminura medieval que representa uma mina, o lugar onde se parte pedra por excelência, sem interferir na imagem. Por último, fiz uma montagem de dois técnicos frente às ruínas de Stonehenge, com ar de quem acaba de descobrir um filão...

21 de março de 2014

Valha-me Deus!



A razão desta tira é extremamente fútil. Descobri, num artigo de um jornal diário, que o então vice-presidente da bancada do PSD-Madeira, no parlamento regional, tinha o invulgar e sugestivo nome de Coito Pita. É fácil fazer humor sobre isso, mas acreditem que tenho uma ponta de inveja. Imaginem-me com um nome destes a apresentar-me numa festa a uma dessas gatas acaloradas que já vão no terceiro vodka. «E tu, como te chamas?» dir-me-ia ela. «Para ti Coito, Pita!» respondia eu... é bom de mais para ser verdade.

26 de janeiro de 2014

A luz ao fundo do túnel



Desenhada em 2004, na altura em que Durão Barroso chefiava o governo, esta BD satirizava alguns dos chavões e tiques do executivo. Desde logo pelo título: a tal "luz ao fundo do túnel" tantas vezes anunciada mas que nunca existiu; depois o designado "discurso da tanga" - Vocês deixaram o país de tanga! - que teve como efeito imediato o "crash" bolsista e a retracção económica; e ainda (no último quadrado) a disparatada negação da evidência (Barroso), o absurdo negócio dos submarinos (Portas), e a voragem financeira de Manuela Ferreira Leite, unicamente preocupada em maquilhar o défice à custa de receitas extraordinárias. Tal como a outra BD já apresentada, também esta apareceu no 30 de Fevereiro em flash,e durante pouco tempo - pois a "luz ao fundo do túnel" só brilhou para Durão Barroso, que na primeira oportunidade fugiu para Bruxelas.

13 de janeiro de 2014

O Partido Sexy




Esta entrada vem a propósito de mais um congresso de consagração a Paulo Portas, o líder que moldou o velho CDS à sua imagem (que outro significado pode ter o acrescento "PP"?) e no qual se mantém à frente desde 1997 - ou desde 1992, se considerarmos que Manuel Monteiro foi uma criação da sua autoria. Houve contudo um curto interregno no qual a liderança recaiu sobre Ribeiro e Castro, e são precisamente desse tempo as imagens apresentadas.
Ribeiro e Castro considerou um dia que o partido era pouco atractivo e afirmou que o CDS-PP - democrata-cristão, recorde-se - devia tornar-se num partido "sexy"! Com "cristão" e "sexy" na mesma frase, pretendia talvez levar o CDS-PP do convento para o cabaré e, no 30 de Fevereiro, sugeriu-se um retoque no símbolo do partido: a adaptação aos novos tempos que se anunciavam...

6 de janeiro de 2014

O Senhor Procurador



José Souto Moura foi Procurador Geral da República entre 2000 e 2006 e o seu mandato não correu nada bem. Dos muitos processos mediáticos que lhe passaram pelas mãos, tudo quanto era segredo de justiça foi parar aos títulos dos jornais - não era um problema unicamente seu; já acontecia antes e continuou a acontecer depois da sua saída. Contudo, a sua inépcia em lidar com a comunicação social tornou-se lendária, e ele próprio contribuiu (involuntariamente) para o descrédito da justiça, alimentando rumores e insinuações. Este "cartoon" representa uma cena real decorrida durante o processo Casa Pia e, embora possa parecer inacreditável, o diálogo é a transcrição fiel do ocorrido...

1 de janeiro de 2014

A Retoma


Durão Barroso: de estudante maoista do MRPP, envolvido numa história de roubo de mobiliário, até à presidência da Comissão Europeia, fica o percurso exemplar de um oportunista, de ambição desmedida, sempre pronto a saltar de carruagem desde que lhe pareça mais favorável em termos pessoais. Vencedor das eleições legislativas de 2002, esteve cerca de dois anos à frente do governo, cavalgando um decréscimo do PIB que não soube inverter, e arrastou a nação para uma guerra que não lhe dizia respeito.
Esta BD de 2004, satirizava a sua argumentação repetida e pouco imaginativa: a culpa pelo estado das coisas era a herança recebida, mas a retoma estava ao virar da esquina. E é óbvio que eu não esperava a reeleição de Durão em 2006 - o quadrado de 2007 só está aqui para enfatizar, porque na geometria da história deviam existir oito quadrados e não sete. O desenho, apresentado em flash, esteve pouco tempo em exibição porque o Durão, entretanto, arranjou um "tacho" melhor em Bruxelas.

22 de dezembro de 2013

Suástica e barras coloridas


Em 2004, George W. Bush andava entretido na Segunda Guerra do Golfo, e no 30 de Fevereiro havia basto material a inventariar as suas palhaçadas. Para ilustrá-las, concebi esta montagem que simbolizava as forças que o suportavam: do lado esquerdo o casal retratado na pintura "American Gothic", de Grant Wood, representando os campónios iletrados; do lado direito o Ku Klux Klan, símbolo da intolerância.
A imagem é minúscula (como muitas outras que por aqui vão aparecer) porque, nesses tempos pré-banda-larga, as imagens demoravam demasiado tempo a carregar - e tempo era, literalmente, dinheiro. O Softpress Freeway, que eu utilizava para construir o sítio, permitia inclusivamente subdividir uma imagem em fragmentos com diferentes compressões jpeg, conforme a zona da imagem contivesse mais ou menos informação, para poupar na quantidade de kbytes utilizados - e eu utilizei essa função para dividir esta "enorme" imagem numa meia-dúzia de secções. Mais tarde substituí-a por uma imagem global, generosamente comprimida para 33,8 KB...

21 de dezembro de 2013

Andar de automóvel é dar de comer a um milhão de políticos portugueses


A primeira imagem apresentada no 30 de Fevereiro foi esta espécie de cartaz retro, que desenhei num estilo Anos 30-40. Adaptei à situação uma antiga frase publicitária, bem conhecida: "Beber vinho é dar de comer a um milhão de portugueses" - uma promoção algo insólita da indústria vinhateira nacional.
Possuir um carro foi sempre extremamente penalizador, e já em 2004 os impostos estavam constantemente a subir. Parecia-nos mau (e era mau), mas ainda havia SCUTs, o litro de gasolina estava a 95 cêntimos, o gasóleo custava 70 cêntimos, o iva era de 19 %, e nem imaginávamos o que estava para vir... Esta nunca perdeu a actualidade - e nunca a perderá...