Quando esta tira foi desenhada, Cavaco
Silva já tomara posse como presidente da república há mais de meio
ano. Com um primeiro mandato onde tentou passar despercebido (como é
prática habitual, na tentativa de alcançar o segundo mandato), a
crise da dívida e a pré-bancarrota acabaram por acossá-lo na torre
de vidro onde se havia encerrado. Com anticorpos espalhados em largos
sectores da sociedade portuguesa, muitos não esqueceram que, nos
quarenta anos do regime, acabados de completar, Cavaco Silva foi
primeiro-ministro ou presidente durante dezoito deles...
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29 de abril de 2014
19 de abril de 2014
Gajo Borbulha
O tema desta tira é um clássico da
esperteza nacional: o dia da greve geral utilizado em proveito
pessoal. E como, normalmente, é marcado para uma sexta-feira isso
significa umas mini-férias (o Gajo Borbulha, com os seus biscatos é
uma excepção); no dia útil seguinte, passada a guerra dos números,
entra o respectivo atestado médico...
15 de abril de 2014
Gajo Borbulha
Esta tira do Gajo Borbulha representou
um passo mais no alargamento do seu universo, ao apresentar o seu
filho, Lenine. O tema das aulas de substituição (destinadas a
acabar com os tempos mortos devidos à falta de um professor) era por
essa época motivo de alguma controvérsia, mais por parte dos
professores que dos alunos, diga-se em abono da verdade.
11 de abril de 2014
Gajo Borbulha
Tendo por fundo uma das polémicas
medidas tomadas por Correia de Campos, o Gajo Borbulha utiliza uma
mnemónica inesperada, enquanto Falópio continua com os seus
habituais pontapés na gramática...
8 de abril de 2014
D. Bibas, o bobo do corte
Antes de se tornar dirigente
desportivo, com um ar que não destoaria na série "The
Sopranos", Rui Costa foi um dos mais bem-sucedidos futebolistas
portugueses. Num dia do Outono de 2006, quando o jogador ainda pisava
os relvados, os três diários desportivos resolveram fazer uma
manchete que pouco tinha a ver com a prática do desporto,
propriamente dito - o que acontece frequentes vezes, porque ter de
arranjar notícias todos os dias não deve ser nada fácil...
6 de abril de 2014
D. Bibas, o bobo do corte
As frases que se podem ler nos
primeiros três quadrados desta tira, faziam parte de uma campanha
anti-racista que à época passou nos meios de comunicação. Julgo
que esta era a campanha "Todos diferentes, todos iguais",
que em pouco tempo deu origem à irónica frase "todos
diferentes, todos a roubar" - e isto sem qualquer conotação
racista, o problema era (e ainda é...) generalizado.
2 de abril de 2014
Gajo Borbulha
O Gajo Borbulha vai percorrendo todos
os lugares-comuns da intervenção comunista, acompanhado de perto
pelo seu amigo Falópio. A explicação alargada está aqui.
1 de abril de 2014
D. Bibas, o bobo do corte
O "fatídico" dia 6 de Junho
de 2006, que alinhava três 6 de mau agouro, passou despercebido, à
excepção de algum jornalismo com falta de notícias. Mas até essa
pecha era por esses dias facilmente remediada, com os inevitáveis
directos para "encher chouriços", à porta do hotel onde a
selecção nacional de futebol fazia o seu estágio, nas vésperas do
Alemanha 2006. A propósito: mais umas semanas e vamos levar com
outra dose...
31 de março de 2014
D. Bibas, o bobo do corte
Filmes como "Rapariga com Brinco
de Pérola", "Lost in Translation" ou "A Ilha"
projectaram Scarlett Johansson para a fama no nosso país, dando-lhe
simultaneamente o estatuto de "sex-symbol". Subitamente o
seu nome ouvia-se em todo o lado - geralmente mal pronunciado, e isso
deu tema para esta tira dupla de D. Bibas.
29 de março de 2014
As criaturas do pântano amaldiçoado
Com um título inspirado num filme de
terror dos anos 50 - Creature from the Black Lagoon, que nunca
vi - passamos agora à segunda e última tira, desta vez dedicada ao
candidato Cavaco Silva. Cavaco, na presidência, tem-se mostrado o
paladino das transformações que nunca conseguiu fazer enquanto
primeiro-ministro, bem pelo contrário. Há uns tempos disse que o
nosso futuro estava no mar; no seu tempo desmantelou-se boa parte da
frota pesqueira. Ultimamente, diz que o futuro está na agricultura;
no seu tempo pagou-se para arrancar vinha e olival. Na campanha de
2006 lembrou-se de dizer que Portugal viria a ser a Califórnia da
Europa. Como? por que meios? Só se fosse por artes mágicas. O
resultado está à vista...
28 de março de 2014
As criaturas do pântano amaldiçoado
Ainda sob o signo das presidenciais de 2006, desenhei duas tiras, correspondentes a cada um dos principais
candidatos: Cavaco Silva e Mário Soares (é verdade que Manuel
Alegre ficou em segundo lugar, mas nunca deixou de ser uma personagem
secundária). A tira dupla de hoje é a que corresponde a Soares, e
recorda as linhas mestras da sua argumentação eleitoral. Com o seu
imenso ego, o complexo de superioridade típico de uma certa "Capital
do Império", e a arrogância de quem se julga dono da
república, Soares, na tentativa de regresso à presidência, achou
por bem comparar o seu pretenso cosmopolitismo com o suposto
provincianismo de Cavaco: acusou-o de fugir ao debate, de falta de
cultura, de conhecimento, e de peso internacional - entre outras
coisas. Apoiado pelo PS, então no Governo, averbou aquela que foi
talvez a sua maior derrota em eleições: um 3.º lugar com 14% dos
votos expressos.
27 de março de 2014
D. Bibas, o bobo do corte
Tendo como tema as presidenciais de 2006, este cabeçalho comentado por D. Bibas é o resultado da
inclinação do espectro partidário português à esquerda: a
direita quase não existe como tal, ou diz-se do centro, os liberais
dizem-se social-democratas, os social-democratas intitulam-se
socialistas (e convém não esquecer que todos juntos valem 85 a 90
por cento do eleitorado). Só assim é possível entender as
declarações de Maria Helena da Bernarda acerca de Cavaco Silva como
um candidato de esquerda - depende do ponto de vista. Mas não deixa
de soar estranho...
26 de março de 2014
O Zé, a Maria Lusa e o Político
Cavaco Silva, afastado do poder desde 1995 e derrotado nas presidenciais de 1996, passou uma década a pavimentar pacientemente o caminho que o havia de levar com êxito ao palácio de Belém. Na pré-campanha das presidenciais de 2006, com as sondagens a seu favor e tendo por opositores cinco candidatos de esquerda, impôs o modelo de debate televisivo que lhe era mais favorável: debates a dois. Evitava assim fragmentar o seu tempo de intervenção contra dois ou mais candidatos que iam previsivelmente abrir fogo sobre si, repetindo mais ou menos a mesma argumentação e deixando-o permanentemente em situação de desvantagem.
25 de março de 2014
24 de março de 2014
D. Bibas, o bobo do corte
O Mário Teixeira tem uma ligação
especial ao Canadá, e as notícias relacionadas com esse país
serviram-lhe também de inspiração, como se pode comprovar nesta
tira. Em 2005, a meio da nossa "década perdida", notícias
como a citada - onde o governo canadiano se propunha devolver parte
do excedente orçamental aos contribuintes - pareciam aos nossos
olhos como se fossem de outro mundo.
21 de março de 2014
Valha-me Deus!
A razão desta tira é extremamente fútil. Descobri, num artigo de um jornal diário, que o então vice-presidente da bancada do PSD-Madeira, no parlamento regional, tinha o invulgar e sugestivo nome de Coito Pita. É fácil fazer humor sobre isso, mas acreditem que tenho uma ponta de inveja. Imaginem-me com um nome destes a apresentar-me numa festa a uma dessas gatas acaloradas que já vão no terceiro vodka. «E tu, como te chamas?» dir-me-ia ela. «Para ti Coito, Pita!» respondia eu... é bom de mais para ser verdade.
20 de março de 2014
Gajo Borbulha
A partir de meados de 2005, o Mário Teixeira decidiu passar a colorir as tiras destinadas ao 30 de Fevereiro. A primeira tira colorida do D. Bibas foi publicada ontem, hoje temos o Gajo Borbulha, e em breve teremos a d'O Zé & Maria Lusa.
A frase-chave aqui, "a inversão do ónus da prova", surgiu no momento em que se iniciou a discussão sobre novas formas de combate à corrupção e a criminalização do enriquecimento ilícito. Nove anos passados, a questão é ainda fonte de controvérsia. O conceito, contudo, tem esbarrado nas garantias constitucionais, pois cabe à justiça provar que o acusado cometeu o delito - em vez de ser o acusado a provar a sua inocência.
19 de março de 2014
D. Bibas, o bobo do corte
No Verão de 2005, com a escassez de notícias, as televisões criaram o caso do "arrastão", na praia de Carcavelos, nos arredores de Lisboa. O caso conta-se em poucas palavras: uma série de roubos, praticados em bando, deu origem à intervenção da polícia e foi transformado, nos noticiários da noite, num "arrastão" à brasileira. D. Bibas refere-se aqui à hipersensibilidade do BE relativamente às referências étnicas em questão - ao que parece, os ladrões seriam de raça africana. Aliás, como toda a gente sabe, o Bloco tem uma predilecção por minorias; ou antes, determinadas minorias, pois até há quem diga que a mascote favorita do Bloco seria um indivíduo negro, homossexual e estrangeiro...
12 de março de 2014
D. Bibas, o bobo do corte
D. Bibas especula nesta tira sobre as "ligações perigosas" entre o PCP e o PSD, numa altura em que parecia haver um acordo tácito contra a governação PS. Embora os factos referidos sejam auto-explicativos, mesmo assim vou fornecer o contexto, dado que para além do evidente há outras alusões eventualmente obscurecidas pela passagem do tempo.
O sindicato afecto ao PCP é a Fenprof, que vai proporcionando ao partido, através da gritaria e das greves cirúrgicas, as vitórias que, em 40 anos de regime, jamais obteve nas urnas. Quanto a Zita Seabra é uma senhora que nos dias de hoje dirige uma respeitável editora, mas já foi deputada e dirigente do PSD, anos depois de ter desempenhado os mesmos cargos no PCP. Quanto aos "Ruis", Rui Rio era o presidente social-democrata do Município portuense, e Rui Sá o vereador comunista que lhe servia de "bengala", recebendo como contrapartida, entre outros cargos, a presidência dos Conselhos de Administração dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento.
28 de fevereiro de 2014
O Zé, a Maria Lusa e o Político
A realidade que serviu de inspiração para esta tira foi o congresso do CDS-PP de 2005, no rescaldo das eleições legislativas que já várias vezes foram aqui referidas. Ora, esse congresso teve um desenvolvimento inesperado: com Paulo Portas de malas aviadas para a sua breve estadia nos Estados Unidos, estava tudo mais ou menos preparado, entre o trio Portas, Nobre Guedes e Telmo Correia (o trio que protagoniza esta tira), para que este último fosse o seu sucessor; no entanto, para surpresa geral, quem se impôs à última hora foi Ribeiro e Castro, que assim estragou os planos já traçados.
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